27 de out de 2012

Conflitos Ambientais: o caso de Eldorado dos Carajás

Um Pouco do Contexto Histórico...

Atualmente, vivemos um processo de transformação que vem sendo caracterizado como um indicativo de uma "nova civilização", baseada em novos modelos e padrões de acumulação. Deléage (1997) afirma que com o processo de industrialização no século XX, sobretudo após o término da Segunda Guerra Mundial, as relações entre o homem e a biosfera, a poluição e a degradação do meio ambiente se tornaram um fato de civilização que adquiriu dimensões planetárias.

Uma característica importante desse processo é a crise ambiental que surge a partir de 1960, a qual demanda de uma necessidade de novos padrões de relacionamento com a natureza e seus recursos; ela repercute nos etilos de vida e consumo, na ética e na cultura, na dinâmica política e social e na organização do espaço em escala mundial.
A década de 1980 também representa um importante marco histórico e simbólico para as lutas ambientais. Após a morte de Chico Mendes no ano de 1988, as ideias de de "uso sustentável da natureza" e da existência dos "povos da floresta" se consolidaram; indígenas, ribeirinhos, seringueiros e outros grupos tradicionais se tornaram protagonistas do "desenvolvimento sustentável", que acabou ganhando reconhecimento internacional na II Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro no ano de 1992.
 Para Leff (2006), a crise ambiental não se constitui necessariamente, em uma catástrofe ecológica, mas nas mudanças do pensamento com o qual temos construído e destruído o mundo globalizado e nossos próprios modos de vida.

Esses conflitos ambientais ocorrem há um bom tempo, e sempre continuarão ocorrendo, um importante marco que será trabalhado a seguir é o Movimentos dos Carajás que aconteceu no Estado do Pará, que faz parte da nossa chamada "Amazônia".

Os Carajás...

O massacre dos Carajás ocorreu em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás na no Estado do Pará; 19 sem-terras foram mortos por policiais militares. Este confronto ocorrei quando aproximadamente 1500 sem-terras que viviam nessa região decidiram fazer uma marcha na BR-155 (rodovia que liga Belém ao Sul do Estado) em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente as de Fazenda Macaxeira.
Para retirar os sem-terras do local, os militares foram autorizados a usar qualquer tipo de força que fosse necessária, com isso, eles chegaram ao local jogando bombas de gás lacrimogênio; após isso a violência foi maior. Segundo legistas, 10 sem-terras foram executados a queima roupa e 9 foram mortos por instrumentos cortantes.
Em 19 de abril de 1996, o então presidente da época Fernando Henrique Cardoso determinou a prisão imediata dos responsáveis pelo massacre. Os 155 policias foram indiciados e acusados por homicídios, todavia permaneceram impunes. Somente em maio deste ano, que o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira foram presos, condenados a 158 anos de reclusão pelo massacre, recorreram e estão soltos até hoje.

Monumento em Homenagem aos Carajás
Podemos observar que estes conflitos ambientais, seja por terras como o Movimento dos Carajás ou outros, como os conflitos contra a Hidrelétrica de Belo Monte, nunca deixarão de existir. Isso são marcas que existem em toda a parte, porém no Brasil aparece com uma densidade significativa. O que realmente importa é que a "consciência" seja tomada e ocorra um acordo de ambas as partes para tentar amenizar esses "conflitos ambientais", buscando a solução desses impasses, tentando não prejudicar as partes envolvidas.





Referências

Conflitos Ambientais. Disponível em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticias/estudo-mapeia-conflitos-ambientais-brasil-553401.shtml. Acesso em: 27 de out de 2012.

Conflitos Territoriais na Amazônia Brasileira. Disponível em: http://www.alasru.org/wp-content/uploads/2011/07/GT7-Jodival-Mauricio-da-Costa.pdf. Acesso em: 27 de out de 2012.

Massacre dos Carajás. Disponível em: http://www.mst.org.br/especiais/27. Acesso em: 27 de out de 2012.


POSTADO POR: Daniélli Flores Dias





Um comentário:

  1. Tua postagem está muito interessante; só acho que você poderia ter ampliado um pouco esta ligação entre os conflitos sociais do campo e os conflitos ambientais, já que ambos tem a mesma origem, ou seja, os mesmos que mandam matar os trabalhadores sem-terra, são os que concentram terras para proceder amplos desmatamentos e estabelecer monoculturas com uso de muito veneno, porque esta é a lógica do capital: eliminar com a diversidade, seja da vida humana ou da biológica.

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